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Canto Infantil

MENINO E MENINA: Até mais ou menos 11 anos de idade, há pouca diferença entre o aparelho vocálico do menino e o da menina. Ambos são vozes infantis que necessitam de trato idêntico. A extensão no canto também deve ser igual para os dois sexos, e não se admite, em hipótese alguma, que o menino só deve cantar grosso! A extensão e flexibilidade seriam iguais entre os sexos deste período se fosse preservada semelhante naturalidade e simplicidade de espírito. Muitas vezes, estimulamos no menino a noção de que ele tem que ser mais ''masculino" do que a própria biologia do seu período de desenvolvimento exigiria.

GRITARIA, UMA NECESSIDADE ??: Todos nós precisamos desabafar. Alguns adultos gritam com os filhos, outros praticam esportes e outros simplesmente cantam sob o chuveiro. Seja alegria ou entusiasmo, ira ou tristeza, a emoção forte precisa de expressão ou saída. Nada há como a música, especialmente a música, cantada, para facilitar a expressão de emoções que surgem na vida de todos nós.

Ao nos referimos à pratica do esporte, surge a pergunta: " E os gritos e berros que os meninos emitem quando jogam bola ou apenas assistem como torcedores, tais abusos não lhes afetam a voz de cantar ? ".

Afetam, sim, de uma maneira triste e permanente. Sem dúvida a criança que cresce sem tomar parte em jogos coletivos está cometendo um mal irreparável. Mas a criança que sempre sai do jogo muito rouca ou sem voz está fazendo também o mal que lhe trará prejuízo no futuro. Entusiasmo é uma coisa; o grito selvagem, contínuo e sem freio, mostra apenas falta de orientação e bom equilíbrio em outros setores da vida.

A EXTENSÃO: As canções que, muitas vezes, encontramos arranjadas especialmente para vozes juvenis, são especiais no sentido da sua extensão muito limitada. Insiste-se em que a criança em geral não deve, cantar além de um pequeno raio de tons, constituído de mais ou menos uma oitava - " dó " a " dó ". A razão apresentada é que fora desta pequena extenssão a criança força a voz.

Já se provou que irrefutável certeza que qualquer criança normal de mais de 04 anos de idade deve poder executar canções que abrangem os tons entre "sí" e "fá". Não somente pode, mas deve por em função todos estes tons, para benefício da voz da criança e desenvolvimento das faculdades artísticos e socias, isto para meninas e meninos indistintamente.

È justamente dentro dos tons mais agudos que se encontra o setor mais lindo da voz infantil. Contudo se tentar estender a voz infantil até os tons acima indicados, sem seguir o caminho preparatório correto e necessário, há de sofrer dor física e grandes embaraços. Foi isso que levou os mestres do passado a limitar a extensão útil da voz da criança.

A VOZ FANHOSA: Consideremos alguns dos fotores que podem causar a " VOZ RACHADA " de algumas crianças.
  1. Subnutrição. A deficiência na alimentação sempre contribui, pelo enfraquecimento geral do organismo, para a diminuição da resistência vocal. E indispensável para a saúde e crescimento da criança uma alimentação equilibrada, rica em verduras frescas, frutas e cereais e leite.

  2. Os gritos. São os motivos que mais prejudicam a voz da criança.

  3. A voz dos pais. Se a mãe tem voz fanhosa e desagradável, sua filhinha, desde os primeiros aninhos provavelmente terá voz bem semelhante. Às vezes famílias inteiras terão a mesma qualidade vocal. A criança imita inconscientemente a voz que ouve.

Lembre que a voz natural da criança não é aquela que geralmente ouvimos - a voz gritada e rouca. A sua voz natural é uma que se pode comparar ao falsete da voz feminina adulta: uma voz emitida com inteira facilidade, sem a necessidade de torcer o pescoço, esticar as veias, fazer caretas e sentir aflição nos agudos. A voz correta da criança é aquela fácil e leve que sai através da garganta e boca, sem a criança sentí-la

CERTO É O MAIS FÁCIL : Todos já notaram, numa ocasião ou noutra, uma menina (ou menino) que, cantando enquanto brincava, sozinha e completamente distraída, produzia uma vozinha leve, fina e aparentemente sem esforço algum.

Provavelmente essa voz foi mais ou menos correta, pois estava livre do constrangimento e força causados pelo desejo de agradar ao adulto ou competir com os seus colegas.

É surpreendente o quanto a criança acertará o tom normal se apenas permitida a agir livremente - se o ambiente lhe é favorável.



Pois, é afinal o que lhe confortável e basicamente fácil. A criança, que no lar e na escola se acha cercada de amor e serenidade, terá muito mais probabilidade de desenvolver uma voz natural do que a criança rodeada por adultos nervosos ou briguentos.

A "QUEBRA DA VOZ": Muitas pessoas, especialmente do sexo masculino, que encontram dificuldade no cantar ou sentem-se mal ou sem jeito quando enfrentam a necessidade de cantar num grupo de amigos, podem culpar o período de puberdade pelos complexos que sofrem. Todos têm ouvido uma "quebra" involuntária na fala ou no canto dum rapaz de 12,13,ou 14 anos, e depois presenciado o embaraço provocado por essa perda de controle. Sabemos que a voz, durante o período da puberdade, sofre uma mudança. E quando aparecem os sinais da quebra de voz dum menino, os colegas acham graça, os irmãos (e, às vezes os pais e avós!) riem dele, e o pobre rapaz se desdobra a fim de aparentar o indiferente! Assim, dentro dele está-se criando um verdadeiro pavor que mais tarde lhe tirará o prazer e anulará a sua capacidade natural, roubando-lhe, consequentemente, um meio de expressão sadia e necessária. O STRESS NA VOZ: Na verdade o que acontece é que, geralmente, o menino faz questão, bem cedo, de falar mais grosso (embora a voz dele ainda seja clinicamente idêntica à voz da menina). Desta forma ele cria um endurecimento dos músculos e tendões relativos à voz. O menino ou rapaz se queixa de ter algo na garganta, e de fato ele tem: carne e músculo endurecidos e inchados que podem conduzi-lo direitinho à destruição da voz. Este estado de tensão e endurecimento crescente continuará na caixa vocálica e arredores través dos anos críticos do desenvolvimento púbere e um dia, quando os tecidos não suportarem mais, cederão, e as pregas, junto com o maravilhoso jogo de músculos que deveriam controlar a voz, se encontrarão num estado de colapso.
Nas idades de 11, 12, e 13 o corpo inteiro crescendo e amadurecendo, lenta mas inexoravelmente. As cavidades do corpo todo estão aumentando(inclusive aquelas que darão maior ressonância e profundidade a voz adulta) e os músculos estão crescendo e tomando nova força (como também os músculos que controlam a modulação da voz). Mas tal crescimento é sempre moroso e se estende por um período de vários anos. Durante esses anos as pequeninas pregas vocais estão-se desenvolvendo. Contudo, a transformação do instrumento vocal, naturalmente, segue um passo semelhante aos outros órgãos no seu crescimento vagaroso. Desta forma, não se pode afirmar que a mudança da voz do rapaz ocorre repentinamente. Contudo, quando a quebra ocorre na voz do mocinho, dá a impressão de que a mudança da voz infantil para a voz de rapaz aconteceu naquele instante (de um dia para o outro).

Então é a ocasião deste colapso que leva a pensar que a mudança de voz é repentina. Será que voz da menina, ao passar por igual idade, sofre também alguma mudança? Em comparação com o problema do menino, a menina pouco nota. A voz dos futuros contraltos manifesta certo escurecimento na cor vocal (timbre) e diminuição de facilidade nos mais agudos muitas vezes, e por isso deve haver, no canto em coro, divisão mais cuidadosa entre sopranos e contraltos nesta idade.


Webmaster: Marcelo Edson Ferreira 18/04/2001